sexta-feira, 28 de março de 2014

3 DE ESPADAS: a mente sofredora




Diz-se que uma imagem vale mais que mil palavras. Acredito nisso. Penso que qualquer pessoa, de qualquer lugar, ao ver a foto acima faz uma idéia, ainda que vaga, do que se trata.

Todo, digamos, o ambiente da fotografia é hostil: o fundo, a madeira onde o coração está preso, o arame farpado e até a iluminação, que privilegia os tons frios, azulados, concorre para que a imagem, em seu conjunto, tenha essa incômoda estranheza. Só o coração, apesar de tudo, é brilhante em seu vermelho que nos remete à idéia da paixão, do amor intenso, do pulsar pela vida, das emoções em ebulição.

O 3 DE ESPADAS, como a grande maioria das cartas do naipe de Espadas, representa uma forma de sofrimento a nível do racional, do intelectual, das nossas faculdade de pensarmos as situações que vivemos. Esse Arcano Menor, especialmente, nos remete à idéia do quanto nossos pensamentos podem afetar os nossos sentimentos. O quanto uma maneira racional, que necessáriamente não necessita ser correta, adequada ou justa, pode refletir nas emoções que sentimos.

Discussões desnecessárias, quando aproveitamos para magoar os sentimentos alheios, discórdias entre os membros de uma família, situações tolas e ofensas que acabam por desestabilizar um relacionamento são típicas de serem identificadas quando essa carta aparece numa tiragem de tarot. Espadas, por si só, já é um símbolo de dor, de sofrimento, pois afinal é uma arma, um instrumento cortante. E quando verbalizamos (com nossa língua, "afiada como uma espada") pensamentos desarmonizados com a realidade, com a verdade, acabamos por literalmente ferir mortalmente quem é o alvo dos nossos comentários. A pessoa que sofre a agressão, naturalmente, fica emocionalmente instável, amargurada, nutrindo sentimentos que vão desde a autopiedade até de revolta e vingança.

O 3 DE ESPADAS também pode surgir quando estamos simplesmente afastados ou impedidos de estarmos com quem gostaríamos de estar, ou de participar de um momento que nos é especial. Por exemplo: o pai que, por motivo de viagem, de trabalho, etc, não pode estar presente no aniversário, na formatura, etc. do filho. A filha que, em viagem ou morando distante, fica sabendo da morte de um dos pais. Os padrinhos que, impedidos pelo súbito mau tempo ou greve de aeroviários, não conseguem chegar a tempo do casamento dos amigos queridos.

Numericamente falando, o 3 é uma das primeiras cartas na sequência de 10 (do Ás ao 10) de cada naipe dos Arcanos Menores. Isso significa que, apesar da instabilidade que representa, da dor, decepção, amargura, ressentimento que simboliza, ainda há outras 7 cartas a serem percorridas, ou seja, os sentimentos provocados neste ponto são passageiros, não deverão perdurar. Portanto, se numa tiragem de tarot aparecer essa carta, procure evitar confrontos verbais ou escritos, reflita melhor sobre a situação que provoca o conflito, busque ser justo e compreender também a posição do seu antagonista, evite ao máximo situações de estresse e controle seus ímpetos. Assim procedendo, você estará diminuindo a possibilidade de erro e assumindo o controle da situação de forma bastante diplomática, ainda que firme.

E, se o 3 DE ESPADAS for o retrato do sentimento que neste momento você está vivendo, procure não nutri-lo e lembre-se que dias melhores virão.

quinta-feira, 27 de março de 2014

7 de Paus: Coragem para defender seus ideais.


Dois contra uma multidão. Esta foto, de forma muito eloquente, é a imagem real do 7 DE PAUS, uma das 56 cartas que compõem os Arcanos Menores do tarot.

Ainda que a ilustração clássica dessa carta registre unicamente a figura de um homem, no alto de uma colina, ou de qualquer outra posição elevada, defendendo-se, ou brandindo, com um bastão contra outros 6 que, mais abaixo, o ameaçam, a fotografia acima fala por si própria: defender seus pontos de vista, seus objetivos, suas crenças, sua vontade, não temendo a confrontação. O fato da figura retratada no tarot estar num plano mais elevado, carrega a informação de que ele está em melhor condições de defender seus argumentos e interesses frente aos demais. Já se encontra num patamar mais alto, já atingiu um nível de sabedoria e força de vontade maior que os outros que o ameaçam. 


Essa carta traz consigo uma mensagem bastante positiva que incita a quem a recebe, ou nela medita, a defender confiantemente seus atos, seus motivos, seu estilo de vida, sua filosofia e aquilo no que acredita. Para tanto, faz-se necessário analisar detalhadamente seus objetivos e as estratégias empregadas para alcançá-los, corrigindo possíveis enganos, reavaliando prováveis resultados. Isso requer disciplina, autoconfiança e coragem, lembrando que coragem e medo andam de mãos dadas. O medo desestabiliza, roubando-nos a certeza da nossa capacidade e habilidade. Ignorá-lo não é uma solução sábia, pois nos deixa impossibilitados de o observarmos com suficiente clareza e imparcialidade para que possamos melhor avaliá-lo.

Na fotografia ao alto da página apenas 2 homens conseguem, sem aparentar nenhum esforço sobre-humano, conter centenas de pessoas que buscam ultrapassar os portões do que, supostamente, aparenta ser uma grande construção. Sem entrar no mérito do que as levou a optar por essa tentativa de invasão, o que importa é a imagem em si, que tão bem dialoga com a, já comentada, 7 DE PAUS.

Talvez a maioria das pessoas se acovardasse diante dessa turba, cuja força física, pela lógica, em muito supera a das 2 solitárias figuras que os enfrenta. Mas basta olhar a foto atentamente para ver que eles dois estão em posição vantajosa, apesar de tudo. Protegidos pelos muros e altos portões, que na prática, e metaforicamente, abrigam seus interesses, desejos, intenções, sentimentos, eles retiram suas forças da crença em seus valores pessoais e na constância de seus esforços.

Seguros de si e firmes frente o desafio, a vitória fica garantida.

O PENDURADO: quando a Vida nos exige sacrifícios


O jogo “da forca” é aquele em que, a cada letra errada para formar uma determinada palavra, o jogador vai acrescentando mais uma parte ao desenho que o representa. O que ele não pode deixar que aconteça é cometer tantos erros que façam com que seu avatar iconográfico fique completo. O pior é que essa figurinha enquanto vai sendo completada devido aos erros do jogador, vai sendo enforcada.A foto acima tem alguma coisa dessa brincadeira. O indivíduo vai criando marcas nas paredes, que talvez representem os dias em que está encarcerado ou, mesmo, os seus erros. Enquanto isso, vai-se formando, membro a membro, a figura a ser enforcada. E, note-se, o próprio homem já está com uma corda no pescoço...


Quase em todas as diversas representações artísticas do Arcano XII, o PENDURADO (que muitos, Enforcado), encontramos representada uma situação semelhante à da imagem acima. Tudo nele me lembra um tempo forçado de reclusão. Uma época em que nada progride. Paira no ar a ameaça de que a situação pode ainda piorar...

Sem dúvidas, ficar pendurado por uma perna deve ser, antes de mais nada, algo altamente doloroso. Uma tortura. Além do fato de que seria necessário um grande preparo físico, talvez o de um atleta olímpico, para a própria pessoa conseguir flexionar-se de livrar-se da amarra. Ainda assim corre o risco de cair de cabeça.
Tem-se que considerar também o fato de que, imobilizado, o sujeito não tem condições de fazer valer o seu direito de ir e vir, o seu livre arbítrio quanto às opções de onde estar. Como se isso já não fosse o suficiente, ficar numa situação inversa aos demais, contrária àquilo que chamamos de normalidade, expõe o indivíduo ao escárnio alheio. Torna-se motivo de chacota. Tem sua autoestima aviltada. O Ego reduz-se a uma sombra do que já foi.


Ninguém opta por esse tipo de situação de boa vontade ou porque assim o quer, a não ser, é claro, aqueles que vivem de fazerem-se de “pobres vítimas de um destino cruel, enjeitados por todos, frutos do desprezo de um deus cruel”. Normalmente, quando nos vemos nesse triste papel de PENDURADO, é porque não tínhamos ou não encontramos outra opção, está além das nossas forças, da nossa vontade. É um acontecimento que não temos controle, ao qual temos que nos resignar e vive-lo em sua extensão, esperando que, ao menos, sua duração seja breve e que possamos descobrir logo a "palavra oculta", a razão do porque estarmos envolvidos em tal episódio, e nos livrarmos da corda que vai, como no jogo da forca, se apertando em nossos pescoços. 


É comum nos perguntarmos, enquanto passamos por situações que nos limitam a ação, nos sufocam, nos obrigam a rever toda uma filosofia de vida, ou que nos forçam a esperar por resultados que parecem nunca acontecer, se realmente acreditamos numa recompensa qualquer para esse tipo de, digamos, tortura ou sacrifício. Grande parte das ilustrações desse Arcano acrescentam um halo de luz, numa referência quase explícita à divindade ou à iluminação interior, no pobre coitado que balança pendurado pelo pé. Isso para nos recordar que todo sacrifício nos redime, nos eleva espiritualmente, nos torna melhores e deles saímos mais sábios, experientes, preparados, com um outro olhar sobre tudo e todos.


Quando essa carta surge numa leitura de tarot, dependendo, é claro, da sua posição na jogada e das
outras cartas que a acompanham, que devemos nos preparar para um período de "pés e mãos atados". Aquelas épocas em que, por algum motivo, ficamos impossibilitados de tomar alguma ação concreta.

Alguns exemplos: uma doença que nos obriga a ficar acamados, a perda ou quebra de um equipamento indispensável ao nosso trabalho, o tempo que o banco demora para realizar a transferência tão aguardada, os dias e anos que dedicamos nos cuidados daquele ente querido adoentado, ficando-lhe todo o tempo à cabeceira ou à disposição.


Em todos esses exemplos à o caráter de resignação, de imobilidade, de auto sacrifício o que de mais significativo essa carta sugere. E o que fazer nessas situações, já que normalmente não temos total controle das mesmas? É aí que entra a reflexão proposta pelo PENDURADO que é a de que esses períodos em que a nossa vida parece estar em estado de suspensão são preparatórios para os que virão a seguir, quando então, de alguma maneira, seremos recompensados e talvez essa recompensa esteja muito mais ligada à nossa evolução no rumo do crescimento espiritual. 
Esperemos que assim o seja.

 

terça-feira, 25 de março de 2014

4 DE COPAS: Tédio e Insatisfação


Basta um simples olhar na pintura acima para que a idéia de insatisfação se evidencie. Ainda que tudo possuam, que sejam bem sucedidos, que estejam abrigados e protegidos, a rotina tomou conta do ambiente e das vidas desses personagens, tirando-lhes a alegria, o interesse e a disposição.
Nem todas as possibilidades que se perfilam, na imagem da metrópole sobre a mesa, pronta para ser "degustada", vivenciada e experimentadas de todas as maneiras, com livre acesso, nada disso lhes subtrai a evidente apatia das almas.


Tudo é silêncio nesse espaço onde nada falta, seja a capacidade de reconhecer e criar o belo (os quadros na parede), ou a segurança material (a mesa e as cadeiras), ou até o conforto do aspecto doméstico (o gato). Entretanto, falta algo. Falta motivação. Falta uma razão que os façam abandonar o estado letárgico em que se encontram, acomodados, porém desgostosos, melancólicos, e os traga de novo para a vida. A cadeira vazia, como que a espera de alguém, é o símbolo da ausência de interesse que essas pessoas vivem.


O 4 DE COPAS, na maioria das imagens criadas para ilustrar esse Arcano Menor nos diversos tarots existentes, interpreta esse estado de fastio na figura do jovem sentado sob uma árvore, de braços e pernas cruzadas, completamente fechado em si mesmo, olhando catatonicamente para as 3 taças perfiladas à sua frente. Ele as possui. Ele já as conhece. Delas ele provou o conteúdo e agora, se não as ignora ou rejeita, também não mais as aprecia. Tudo virou lugar-comum.
Encostado ao tronco da árvore, cuja seiva encontra-se em contínua circulação, é como se buscasse sentir que suas emoções também voltassem, pelo estímulo do contato, a fluir.
O tédio é a estagnação dos sentidos e, portanto, sinaliza um período de descontentamento, falta de motivação, desinteresse e distração. Tudo é lento e, por vezes, doloroso, pois existe uma enorme passividade a ser vencida.

O que ambas as figuras também têm em comum, cada uma à sua maneira, é que esse estado de
"pouco caso" nos distrai de oportunidades e possibilidades que estão acontecendo e nos sendo constantemente oferecidas. Na carta do tarot, o rapaz parece incapaz de se aperceber que uma nova taça, plena de novas emoções e motivos para despertar seus sentidos, está-lhe sendo oferecida pelo Universo. Na pintura, com seus olhares fixos na noturna e nublada cidade que se assenta sobre a mesa, perdem de vista a cidade real, ensolarada e cheia de vida que estaria ao seu alcance, bastando que olhassem para a janela.

Novos desafios, novas chances, nova descarga de adrenalina, novos interesses estão disponíveis, mas é necessária a vontade de abandonar o estado de aprisionamento, de isolamento, de solidão, de falta de perspectiva, de dissabor. É preciso dar, novamente, uma chance à alegria e ao prazer, que já estão disponíveis no próprio cotidiano, bastando permitir-se sentir e esta é o melhor conselho que podemos obter do 4 DE COPAS dentro de uma tiragem de tarot

domingo, 23 de março de 2014

Responsabilidade: o atributo do IMPERADOR


Tirei uma carta do tarot, nesta manhã de domingo, pensando em qual seria o seu conselho para melhor vivenciarmos a semana que se inicia, a última deste mes de março. A carta escolhida aleatoriamente foi o Arcano IV, O IMPERADOR.

Essa figura representa, arquetipicamente, o administrador que existe (ou deveria existir) em todos nós. É o governante, o gerente, o pai, o patrão, o chefe, o diretor, o supervisor, o general, o provedor, o monarca, o responsável, enfim, por si e pelos seus. Representa o nosso aspecto organizador e controlador. É a maneira que nos portamos na condução dos nossos negócios, nossos relacionamentos, nossos interesses, nossa vida. É nosso sentido de segurança pessoal, da nossa autoestima, de sabermos que podemos fazer o melhor e que temos condições próprias de gerir aquilo que primeiro pensamos, depois plantamos, finalmente colhemos e agora devemos dar-lhe um sentido de utilidade, de organização, uma finalidade que nos agrade e que beneficie aos demais por quem somos responsáveis. Se nas últimas semanas investimos tempo, trabalho, amor, dinheiro, dedicação na realização de algo, agora é a hora de começar a colher e cuidar dos frutos colhidos.

Começa hoje mais um período em que testaremos (e seremos testados), durante os próximos 7 dias, na nossa capacidade administrativa. Como vamos conduzir aquilo que temos e o que somos vai depender exclusivamente de quanto estamos preparados para esse papel: o de IMPERADOR de nós mesmos. Mas cabe aqui um alerta: sejamos cuidadosos para que não nos tornemos verdadeiros déspotas para com os outros, ou escravos de nós mesmos pelo simples uso errôneo do poder que esse Arcano representa.
A cada no dia, a cada nova semana nutrimos novos sonhos, esperanças, interesses, investimentos e responsabilidades que estão sempre intimamente associadas à realização das nossas expectativas. O IMPERADOR é uma nítida lembrança disso: responsabilidade. Ser responsável não significa "engessar-se" numa determinada posição ou idéia, assumir uma postura arcaica de um tradicionalismo caduco, ou sentarmos sobre os louros das nossas vitórias anteriores, ou mesmo não nos arriscarmos. É, na verdade, assumirmos que somos responsáveis pelos nossos atos e que todas as nossas ações na execução dos mesmos irão refletir essa nossa atitude.

Então, amigos, é hora de arregaçarmos as mangas e assumirmos total responsabilidade por aquilo que somos e pelo que temos, cuidando para que possamos trilhar harmoniosamente nossa vida, colaborando para que os demais possam se beneficiar das nossas atitudes e realizações. Esse é o compromisso de um pai responsável, de um administrador competente, de um gerente capaz, nunca importando o tamanho dos seus domínios.
Boa semana e muito sucesso a todos!

sábado, 22 de março de 2014

O PAPA: o Arcano V e o Rei.







“O discurso do Rei” é um filme que conta a história do Rei George VI, da Inglaterra, pai da atual Rainha Elizabeth II, em sua ascensão inesperada ao trono e o fonoaudiólogo que ajudou ao inseguro monarca readquirir sua autoconfiança. 

George VI era o que chamamos de gago. " Disfonia" é a expressão correta para definir a gagueira e outras alterações ou disfunções da voz. Imaginem, agora, um Rei, soberano de um Império tão vasto e espalhado pelos quatro cantos do mundo, tendo que falar em público, sendo constantemente observado pelo povo e pela mídia, fazer discursos, falar ao rádio (que na época era o mais popular meio de comunicação) e não o conseguir devido às suas dificuldades oratórias. Difícil, não é mesmo?

O personagem que é o grande propulsor dos acontecimentos dessa narrativa cinematográfica chama-se Lionel Logue, um ator australiano morando na Londres da metade do século passado e que é, meio por acaso e também pelo fato de ser um professor de oratória, requisitado para tratar da disfunção do futuro Rei.

Lionel Logue é o protótipo do PAPA, o Arcano V das cartas do tarot. Seus métodos nada convencionais, sua personalidade ebuliente, confiante de seu conhecimento técnico e capacidade comprovados através dos resultados obtidos, fazem desse “professor de voz” o guia, o mestre, o terapeuta que o futuro Rei necessitava para poder superar suas maiores dificuldades.

Desde a situação inesperada, até mesmo de sorte, em que ele é encontrado e contratado, até o clímax do filme, o objetivo desse homem é levar o Rei a encontrar as raízes de suas dificuldades pessoais e compreender que sua gagueira é apenas uma maneira do corpo exteriorizar a forma tímida, incompleta, submissa e reticente de seu verdadeiro Eu. Uma reconciliação consigo mesmo e com os outros é a base do trabalho do terapeuta.

Lionel Logue é uma das muitas “embalagens” onde podemos reconhecer o Arcano V: autoridade, sabedoria, conhecimento e orientação, seja nos aspectos mais materiais da existência, ou na nossa conexão com o Divino, é o que o PAPA nos oferece. Nele encontramos o mentor, o professor, o guru, aquele que, ao nos ensinar ou orientar, ajuda-nos a nos reconectar com os aspectos mais espirituais ou sagrados da existência.

Observamos na maneira que o professor/terapeuta conduz seu “tratamento” ao induzir o monarca a lembrar-se, buscar nos seus primeiros anos de vida, no seu relacionamento com os pais e o irmão, os motivos que possam ter provocado sua dificuldade de fala, algo comum nos atuais consultórios dos psicanalistas. Associados a esse método, estão exercícios mecânicos de respiração, de fortalecimento muscular, relaxamento, etc. E podemos então ver aí muito claramente como, normalmente, esse Arcano se manifesta, quase sempre privilegiando a meditação, a reflexão, os aspectos éticos, morais ou filosóficos e, também, privilegiando os rituais.

Mais importante que a cura da gagueira era o Rei fazer as pazes com a tirania paterna, a frieza materna e a competitividade com seu irmão. Para tanto Lionel Logue age como um verdadeiro guia, oferecendo assistência, desconstruindo estruturas mentais rigidamente estabelecidas e levando o Rei a encontrar um verdadeiro sentido em sua vida. Com seus métodos não conformistas, ele abala no jovem monarca as estruturas que o controlam, que o enrijecessem e que o impedem de evoluir, a abraçar o seu verdadeiro destino.

Como todas as cartas do tarot, o PAPA (também chamado de Sumo Sacerdote, Alto Sacerdote, Hierofante) tem e pode apresentar-se através de seu aspecto “sombra”: moralista ao extremo, um verdadeiro intransigente aiatolá quando se trata de preceitos religiosos, completamente dominado por idéias e princípios ultrapassados, alguém que se norteia, e aos outros, através da insípida rigidez de dogmas nunca questionados.

Num aspecto mais subjetivo, o que faltava ao Rei George VI era encontrar-se com seus próprios fantasmas, encará-los, aceitá-los e, assim reconciliar-se com seu Guia Interior. Seu professor de locução é um veículo que lhe desvenda possibilidades de superar-se como homem e às quais, ele mesmo bastante titubeante e argumentativo, acaba por agarrar-se como à uma bóia em meio ao oceano.

Em resumo, seja na figura de um fonoaudiólogo, de um mestre de lutas marciais, de um personal trainer, de um guia espiritual, de um terapeuta, um especialista em qualquer área ou de um eminente e dedicado educador, a carta do PAPA numa tiragem de tarot é sempre uma sugestão para que o LOUCO (Arcano 0) busque uma orientação especializada, confiável e necessária para a situação que o incomoda. Uma das mensagens do Arcano V é a de que não devemos ser teimosos ( o que é diferente de persistentes) e confiarmos que o Universo nos guiará na direção mais adequada ao momento de vida em que nos encontramos.

Basta que tenhamos Fé.

FONTE: Este texto foi anteriormente publicado (com pequenas alterações) em HIEROPHANT MAGAZINE

sexta-feira, 21 de março de 2014

OS AMANTES: o Arcano VI e a questão das opções




A ideia arquetípica do Amor, daquele amor que encontramos nos folhetins, nas novelas mais bregas, nos cartões do Dia dos Namorados, aquele amor com Cupido pairando numa nuvem pronto para disparar suas setas e inflamar corações apaixonados. Essas imagens todas também fazem parte dessa carta que, entre tantas e tantas possibilidades, nos fala das escolhas que fazemos.

Escolher o/a parceiro/a ideal é tarefa árdua. Envolve, além de todo o mais, compartilhar com um outro alguém a vida com tudo o que ela tem a oferecer de positivo ou não. É um chegar à conclusão de que aquela pessoa é com quem queremos estar juntos na intimidade, momento em que normalmente baixamos guarda, nos despimos das nossas máscaras sociais, e nos revelamos por inteiro.

Por mais que nestes tempos que correm os compromissos entre casais de amantes possam abdicar de cerimônias e ritos religiosos, de documentação expedida em cartórios, de arautos a comunicar à sociedade a formação de mais um novo casal, apesar de tudo é uma escolha significativa e que, como todas as demais, implica em consequências, inclusive legais. Portanto, escolher a pessoa com quem queremos compartir nossa vida, é um ato que ultrapassa o simplesmente emocional e envolve, também, algumas reflexões, algumas considerações.

Na carta do Arcano VI, OS AMANTES, normalmente vemos ilustrada a figura de um jovem entre 2 mulheres (uma mais velha que a outra) com Cupido (ou um Anjo) a observar a cena, pronto para disparar sua flecha. É um momento de decisão, de escolha. É quando temos que optar por abandonar a liberdade ou a solidão que o estar solteiro proporciona, com todos os seus benefícios e mazelas, e escolher uma nova direção, uma nova experiência, para nossa vida. 

Mas esses casamentos, essas uniões, não acontecem apenas no plano sentimental, da constituição de uma família, mas também no trabalho, nas sociedades que estabelecemos, nos grupos e partidos aos quais nos filiamos, nos compromissos que assumimos. Em todos esses poucos exemplos há escolhas, há momentos em que temos que optar por algo e isso significa abandonar outra possibilidade. É essa responsabilidade em ter que decidir sozinho/a entre o que realmente se deseja e o que é melhor para nós, entre o que é bom e o que é mau, entre o que é útil e o que é dispensável, entre as vantagens que possivelmente teremos e o abrir mão de outras tantas, é o que nos provoca angústia. Não temos mais quem tome essas decisões em nosso lugar. Não temos mais pais e mães decidindo a roupa que vamos usar, o clube que iremos frequentar, as festas às quais iremos, onde passaremos as férias, a escola em que estudaremos. Agora é por nossa conta.

Mas, e a grande maioria das ilustrações d’OS AMANTES não deixa dúvidas, há algo maior, acima da razão e da emoção do momento, a nos orientar nessa escolha. O símbolo disso é o Anjo, ou o Cupido, personagens, neste caso, que representam a presença da Espiritualidade, a intervenção de uma consciência mais elevada nesse nosso momento de decisão. Alguns chamam a isso de Anjo da Guarda, outros, de pura intuição. Não importa o nome que se dê, mas é reconfortante saber que não estamos absolutamente sós nesses momentos e que nossas escolhas também recebem o suporte de o quanto o nosso aspecto espiritual está em harmonia com o físico, o intelectual e o emocional.

quinta-feira, 20 de março de 2014

A Lua: mistério e ilusão no Arcano XVIII




Há dias em que a gente se sente mais cansado que o normal, desanimado, desabastecido daquela energia vital que nos move, nos faz ir atrás do cumprimento dos nossos compromissos, da solução dos problemas que inevitavelmente aparecem e da realização dos nossos desejos. É um estado de abatimento que fica entre o torpor e uma certa depressão.
Procuramos a causa, o porque desse estado de alma e muitas vezes não chegamos a nenhuma conclusão, ou pelo menos a uma que satisfaça a nossa lógica. Se formos buscar alguma resposta no tarot é muito provável que ele nos apresentaria o arcano XVIII, A LUA.

Pois é isso mesmo: A LUA, que também é um dos símbolos do romance, não tem luz própria necessitando do brilho de uma estrela como o Sol para ser vista. A LUA é um reflexo, não existindo se não houver o objeto que a ilumine, a torne visível. Sendo uma “reprodução”, uma imagem, não possui as mesmas característica de força, de brilho, autonomia, calor, luz, energia que o Sol possui. Pode-se dizer, no tarot, que A LUA é Yin, enquanto o Sol é Yang. A LUA é feminina e o Sol masculino. A LUA é receptiva, o Sol é doador.
Se o astro-rei, ao surgir numa leitura de tarot, representa na maioria das vezes o sucesso, a realização, o bom desempenho dos nossos esforços, a materialização dos nossos desejos, a claridade e a verdade, A LUA, por sua vez, pode significar os estados de recolhimento, a necessidade de isolamento, os estados mais alterados das atividades mentais, os sonhos, delírios, fantasias, pesadelos, os traumas e os medos.

O subconsciente, aquele conhecimento do qual não temos exata consciência quando estamos acordados, raciocinando de maneira lógica, afloram quando encerramos nossas atividades físicas e vamos dormir, na forma de imagens oníricas as quais muitas vezes não nos recordamos ao despertar. É como se a força da LUA influenciasse não apenas o movimento das marés nos oceanos e mares, mas também um fluxo de saberes que todos possuímos e compartilhamos, codificados em imagens e situações surreais e que irão compor nossos sonhos.

 Por não ter luz própria e, portanto, não iluminar o suficiente, passa também a ser o símbolo das mentiras, das ilusões, das fantasias de todos os tipos que nos permitimos criar e viver. Está, por isso, diretamente associada aos processos criativos, às inspirações, aos insights, vividos por artistas de todas as áreas. Por passar por mudanças (crescente, cheia, minguante e nova), pode associar-se às transformações vividas pelas mulheres nos ciclos menstruais e mesmo durante a gravidez. Muito simbolicamente, representa as 3 fases do desenvolvimento do feminino: a Menina, a Mulher, a Velha Sábia. Muito do que é cíclico, daquilo que obedece um padrão repetitivo, de alternância, pode ser associado à LUA que repete interminavelmente o seu ciclo, dentro de uma mesma periodicidade.

Associada aos poetas, aos compositores, aos amantes, A LUA representa a nossa necessidade de mergulharmos em nós mesmos para encontrarmos a voz da nossa Alma, muitas vezes sufocada pelo nosso cotidiano eminentemente solar. Nos apaixonamos loucamente, perdemos a inibição de declararmos nossos mais íntimos sentimentos, nos permitimos acreditar em fantasias e ilusões que, bem no fundo, sabemos serem só isso mesmo, sem a menor possibilidade de concretização, dizemos inverdades que não manteremos e nem reconheceremos à luz do dia, nos metamorfoseamos em personagens que vivem escondidos da luz solar, tudo sob a influência da LUA.

Quando esta carta aparecer numa tiragem de tarot, lembre-se que ela pode estar-lhe chamando a atenção para algum fato, situação, pessoa, estado de espírito que não é totalmente confiável, real, racional. É muito comum, nesses casos, que aquela nossa sonolência, apatia, insatisfação, langor estejam associadas à vivência das energias absorvidas pela LUA. Não se desespere, pois, tal como a própria, isso é uma fase, um ciclo com início, meio e fim. Vai passar.

sexta-feira, 14 de março de 2014

O Mundo à sua frente: Arcano XXI


"Melhor do que está não pode ficar!"
Essa frase, dita em tom de exclamação, é típica de quem está vivendo a energia simbolizada pela carta nº 21 do tarot, o MUNDO.

Sabemos que 22 são os Arcanos Maiores do tarot e que apenas 21 deles são numerados, deixando o LOUCO como uma carta avulsa, um coringa que pode aparecer em qualquer lugar ou posição de uma sequência. Mas o MUNDO é, numericamente, a carta que encerra o caminhar do LOUCO em seu processo de iniciação. Essa é a carta que diz que a missão está cumprida, o projeto chegou ao resultado final esperado, que aprendemos o que tínhamos que aprender, que passamos por todas as provas e estamos, finalmente, preparados para usufruir do que conseguimos.

A sensação que sentimos quando completamos um trabalho é a de alegria e alívio. É um "estado de graça" pois sabemos que superamos obstáculos, adquirimos maior experiência, vivenciamos diferentes emoções e estados de espírito durante o processo. E isso se aplica em toda e qualquer atividade em que estivermos envolvidos, desde limpar a casa, aprender uma língua estrangeira, aposentar-se num determinado serviço após longos anos de trabalho, estudar e fazer o "dever de casa", em desenhar e confeccionar uma roupa e vê-la vestida na pessoa que a encomendou, em aprender a cozinhar, etc
Qualquer processo, qualquer projeto em que nos envolvemos e no qual começamos "de baixo", como aprendizes, como neófitos e, aos poucos, vamos evoluindo até o dominarmos completamente, pode ser usado como exemplo da sequência das 22 cartas do tarot, sendo que a carta do MUNDO representa a compleição dessa tarefa.

O mundo representa, também, nascimento. Vou dar um exemplo bastante simples e óbvio: começamos a frequentar a escola e estudar ainda bastante cedo e vamos encerrar esse processo quando nos formamos num curso universitário (claro que podemos continuar estudando e nos aperfeiçoando pelo resto das nossas vidas!) quando obtemos um diploma que nos qualifica para o mercado de trabalho. O momento da graduação, do recebimento do diploma, a festa de formatura são os mais representativos (no caso deste exemplo) do Arcano XXI, o MUNDO pois não gozamos mais da condição de estudantes (o fim de uma etapa: a MORTE) e nos tornamos profissionais, aptos a frequentar um outro ambiente muito mais amplo que a escola, que a universidade: o mundo. É um momento de euforia, de imensa alegria, de justa celebração pois afinal passamos por todas as provas iniciáticas desse processo e o concluímos. Temos no diploma recebido uma radiografia de toda uma evolução no campo do saber: desde o aprendizado das primeiras letras até o término dos estudos universitários: início, meio e fim. Objetivo alcançado.
No dia seguinte à formatura, em nosso primeiro instante como profissionais voltamos à condição de LOUCO, de neófito, de aprendiz, de candidato. Voltamos ao ZERO. A estrada, longa e ampla se mostra à nossa frente e, uma vez mais, iremos começar a trilhá-la, evoluindo a cada passo, até que, como profissionais (o caso do nosso exemplo), encerramos nossas atividades, nos aposentamos, abandonamos a carreira, etc.

O MUNDO é como um parto, o momento que somos expelidos do conforto da vida intrauterina e apresentados a um novo ambiente, com outras pessoas, sons, aromas, cores, com outras obrigações, com novas formas de sobrevivência, com maior liberdade de locomoção. Estamos livres para começar, livres e preparados para ser quem realmente somos, usarmos das habilidades e talentos natos, cumprir aquilo que chamamos de destino.
Numa leitura taromântica, o surgimento dessa carta pode, entre muitas outras possibilidades, simbolizar gravidez, nascimento, viagem especialmente as aéreas e para lugares distantes, mudanças (de país, de cidade, de casa, de escola, de trabalho, etc), visitar ou ser visitado por pessoa estrangeira, aprender um idioma novo; no comércio pode significar o início de importações e exportações, comércio internacional, uma loja multimarcas, um free-shop ou até mesmo um supermercado; simboliza, algumas vezes, uma disposição para novos relacionamentos, novos envolvimentos emocionais, liberdade sexual; pode, em conjunto com outras cartas, representar uma disposição para as artes, em especial a dança; pode também chamar a atenção para comunicações amplas, contatos sociais que não se limitam a uma região (internet, Facebook e demais mídias sociais e jornalísticas); o reconhecimento internacional, uma premiação (Nobel, Oscar, por exemplo), a fama que desconhece fronteiras.

Vivenciar as energias simbolizadas por este Arcano é, sobretudo, sentir-se livre e realizado, autêntico, conhecedor e confiante em si mesmo, em harmonia com todos os planos (físico, mental, emocional e espiritual) da existência, exultante por ter alcançado os objetivos propostos para aquela etapa da vida.

terça-feira, 11 de março de 2014

Caminhos: destino ou escolha


Parte das pessoas que conheço exercem pelo menos 2 atividades distintas. Muitas vezes, é por uma questão econômica, de sobrevivência. Em alguns casos, por exclusiva realização pessoal e profissional.
Uma das moças que, por 8 horas diárias, serve café na padaria, contou que, também à noite, trabalha na lanchonete da cunhada por mais 4 horas. Tenho amigos que trabalham com balconistas, professores, comerciários e que reservam as noites e os finais de semana para apresentações com seus grupos musicais. Eu mesmo já passei por isso em diversas ocasiões: dava aulas durante o dia e fazia faculdade à noite; em seguida fui trabalhar como estagiário num escritório de arquitetura e, nos finais de semana, trabalhava para uma ONG.

Os CAMINHOS é uma carta do oráculo chamado Lenormand (que algumas pessoas chamam de "baralho cigano") e que nos remete imediatamente à ideia de livre arbítrio. Sempre temos escolha, inclusive, quando decidimos não escolher. O Gênesis narra talvez a mais dramática de todas as escolhas: criados dentro dos limites do chamado Jardim do Éden (ou Paraíso), Adão e Eva abandonaram uma vida feita unicamente de benefícios (eternidade, ausência de dor, sofrimento, etc) em favor de algo que hoje chamamos de "liberdade de pensamento". Sim, de pensamento pois ao serem proibidos de provarem do "fruto da Árvore do Conhecimento" estavam sendo proibidos de adquirirem conhecimento, ou seja, o substrato que nos permite entender, compreender, que nos dá elementos para elaborarmos raciocínios mais complexos, elaborar planos, estratégias, ações, estabelecer metas, calcular resultados, etc. Em nome dessa liberdade de formarem suas próprias opiniões, tirarem suas conclusões, decidirem o que é mais conveniente (ou importante, ou interessante, etc), optaram por romperem com os limites impostos (o do Conhecimento e o do Jardim) e vivenciarem as consequências.

Sim, porque "consequência" é a palavra e a ideia inteiramente associada ao livre arbítrio. Toda forma de liberdade carrega consigo uma enorme dose de responsabilidade. Cada decisão que fazemos no dia a dia traz consigo um comprometimento nosso. Se decido enfrentar uma longa fila no banco antes de ir postar uma carta no Correio, estou me responsabilizando pela possibilidade de me atrasar e acabar não conseguindo enviar a tal carta e todas as consequências decorrentes desse não-envio.

Na vida fazemos opções o tempo todo, mas nem sempre e não necessariamente elas implicam em se

abandonar algo em favor de outra coisa. Os CAMINHOS, também, não são indicativos de coisas ou  situações opostas ou antagônicas. Muitas vezes seguem lado a lado, como numa larga rodovia, permitindo escolher em qual das pistas queremos seguir. Para bem os trilharmos necessitamos vê-los claramente e ter algum jogo de cintura e diplomacia. Mudamos de pista à nossa vontade, mas estamos sempre indo numa mesma direção. Quando optar se fizer absolutamente necessário, estaremos mais capazes, mais preparados e conscientes do que realmente queremos ou necessitamos.

Qualquer que seja a escolha (um parceiro, uma profissão, um sócio, uma viagem, um carro, ter ou não filhos, ir a este ou aquele restaurante, etc) sempre haverá algo deixado de lado, algo que acabou não sendo escolhido. Viver se lamentando por aquilo que deixamos de fazer, de adquirir, de escolher, de privilegiar é tolice pois não podemos voltar atrás e modificar o que foi feito. Mas, lembre-se: sempre podemos corrigir e melhorar aquilo que escolhemos.

sábado, 8 de março de 2014

A Imperatriz: todas as mulheres do mundo

 

 ..."És feita de todo ouro,
de toda prata és feita,feita de todo o trigo
e de toda a terra feita,
és feita de toda a água
das marítimas ondas,
feita para meus braços,
feita para meus beijos,
feita para minha alma."”

Pablo Neruda